quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Carnaval: O retrato de uma humanidade mascarada.


Os três primeiros capítulos da carta de Paulo aos Romanos consistem num trágico, porém real, retrato da humanidade pós-queda. Depois da rebeldia no Éden, o homem de qualquer época pode ser descrito com as palavras proferidas no primeiro século desta era.

Ao analisarmos as informações que o apóstolo nos dá acerca da humanidade, nos deparamos com algo curioso: esta não é a imagem que os homens, de forma geral, tentam passar uns para os outros. Ninguém, em sã consciência, revela aquela podridão narrada pelo apóstolo. Quer nos círculos acadêmicos, quer nas conversas de rua, a tese de John Locke - de que o homem é uma tabula rasa - é a que sustenta nossa percepção acerca do ser humano.

A raça humana, depois da queda, não consegue viver sem máscaras. Somos, por natureza, o velho lobo que tenta aparentar-se como cordeiro. Contudo, porque máscaras são difíceis de ser sustentadas por muito tempo, o homem sem a graça de Deus precisa de alguns escapes, a fim de dar cabo de suas naturais pulsões, marcadas pelo pecado.

O carnaval, a mais tradicional das festas do Brasil, é um destes escapes. É impressionante como tudo é permitido em nome desta festa. As piores atrocidades, narradas pelo apóstolo Paulo como fruto da rebelde e depravada natureza humana, são cometidas e justificadas com a seguinte frase “mas não tem problema, foi no carnaval”.

Este foi um dos períodos que o homem escolheu para revelar quem, de fato, é. Todavia, com o auxílio do usurpador, o tem feito de modo que todas as atrocidades morais e espirituais sejam explicadas como uma exceção, e não como a regra natural de vida distante de Deus.

Como Igreja de Cristo, precisamos reconhecer este fato como o retrato de uma sociedade alienada de Deus. Ademais, é de suma importância que façamos isto, não para estabelecermos julgamentos, mas para que, imbuídos de compaixão e misericórdia, anunciemos ao mundo que esta suposta alegria é preâmbulo de uma eternidade de choro e lamento, diante da santa ira do Todo-Poderoso. Vivamos dignamente, sem nos conformarmos com o mundo!

Nele, que nunca precisou usar máscaras para mostrar quem era e que com sua vida revelou a verdadeira alegria do Pai,

2 comentários:

Patrick Rodrigues Official disse...

Concordo plenamente!
E acrescento: É uma pena que não é somente o
mundo que age assim. Digo isso pois em nossas igrejas cresce o número de pessoas que somente se escondem, usam de máscaras dentro das igrejas atuais.
Em debate com minha igreja ontem, evento realizado pelo pastor, falamos exatamente sobre isso, como sarar a igreja de hoje!
Abraços Daniel, tenho sido leitor assíduo so seu Blog.
Abraços Patrick Rodrigues

Daniel disse...

É verdade, Patrick. Uma das tendências do homem pós-queda é de se esconder atrás de máscaras. É por isso que as Escrituras falam constantemente do perigo de termos ânimo dobre. Jesus, na verdade, veio desmascarar uma realidade religiosa que tinha como referenciais homens que foram chamados por ele de "sepulcro caiado"; vivos por fora, mas mortos por dentro. Portanto, você está certo quando diz que esse problema assola a igreja também. Infelizmente.