segunda-feira, 30 de março de 2009

Eu Creio! Ajuda-me na minha falta de fé!


Em Marcos 9. 24, o paradoxo da fé é sintetizado na tragédia de um pai que, não aguentando mais o sofrimento de seu filho, revela a Jesus a dicotomia existente entre sua mente e coração. Aquele anônimo homem se apresenta a Jesus revelando a dor do coração de um pai que via o filho ser lançado no fogo e na água, possesso por um espírito mudo que o lançava por terra e o fazia espumar, rilhar os dentes e definhar.
Depois de ver Jesus chamar seus discípulos de "geração incrédula", aquele homem fez ao Mestre um pedido que revelava como ele fazia parte daquela geração: "Se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos". "Se tu podes! Tudo é possível ao que crê.", foi a resposta de Jesus. Em outras palavras, o Mestre estava dizendo: Já percebi que você faz parte dessa geração.
Foi depois desta fantástica declaração de Jesus que aquele homem revelou quão paradoxal era sua fé. "Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!". Parafraseando, o discurso daquele homem foi: eu creio, mas eu não creio!
Gosto de olhar para a sinceridade daquele anônimo, pois ela revela a ambivalência da minha fé. Não são poucas as vezes que me vejo como aquele pai. Não pelo fato de conviver com alguém que, desde a infância, é possuído por espíritos malignos. Antes, pelo fato de conviver, desde o dia em que nasci de novo, com a paradoxal e concomitante existência e falta de fé em meu ser.
Quanto mais estudo a Palavra, mais permito que minha mente abrace as verdades bíblicas. Mais ferramentas obtenho para assegurar-me de minhas convicções em tudo aquilo que foi dito pelo Salvador. Não obstante, isso não garante que meu coração acompanhe o crescimento da fé que minha mente tem absorvido. Como aquele pai desesperado, muitas vezes creio porque minha mente está convencida da possibilidade de Jesus realizar algo em meu favor ou de quem quer que seja. Todavia, meu coração parece ser absorvido por uma dúvida ou até mesmo um ceticismo, que me faz clamar: "Eu creio! Ajuda-me em minha falta de fé!".
Alguém sugeriu que a distância entre o céu e o inferno é de aproximadamente 40 cm, já que este é o espaço entre o cérebro e o coração. É possível entender esse discurso, já que a beleza das verdades celestes não é capaz de anular o inferno de um coração angustiado, caso tais verdades não saiam do âmbito intelectual da fé e passem ao âmbito experimental e existencial.
A honestidade daquele pai nos ensina que de nada adianta conhecermos as verdades divinas, caso as mesmas não sejam acalentadas por nossos angustiados corações. Ainda que seja possível crer sem crer, essa não é a melhor escolha para nossas vidas. Por isso, à semelhança daquele homem, nosso desafio é revelarmos o paradoxo que há em nós, deixando transparecer nossas ambivalências, e correndo ao encontro do Mestre que nos ajuda a transportarmos a fé de nossa mente para nosso coração.

4 comentários:

Carol disse...

Simplesmente fantástico! =]

Jonathan Menezes disse...

Simples, profundo e honesto. Essa também representa minha forma de pensar sobre a fé...
Abraços!
Kirk

Anônimo disse...

A ultima frase do ultimo parágrfo, é o q sinto pois, sei o poder q Deus tem, mas o nosso ser humano, falho, acaba olhando o visível. E é por Ele e para Ele que olhamos e clamamos, crendo que o socorro virá em hora oportuna. Grata, pois o Espirito de Deus é q testifica com o nosso q somos filhos de Deus.

Pr Daniel Bezerra disse...

Por isso , que todas as vezes em que Jesus foi apresentado a um problema ou circunstancia adversa , Ele atentou para fê das pessoas envolvidas, e não para dificuldade da situação. Isso nos serve de consolo para nossa falta de fé ou fé pequena ; Ele quer ver a qualidade da nossa fé , e não a quantidade da mesma . Siga em frente apenas creia ; o resto e com O Senhor !!!