segunda-feira, 2 de março de 2009

Incluindo o Brasil dos excluídos

“Imagine viver num lugar onde a gasolina é mais cara do que na Europa. Onde um quilo de cenoura ou de tomate pode chegar a R$ 8. Onde existem crianças que nunca tomaram um banho de chuveiro”. Foi assim que Zeca Camargo, apresentador do Fantástico, iniciou a reportagem “O Brasil dos Excluídos” (01/03/09).

Jordão e Tarauacá (ambas no Acre), Manari (Pernambuco) e Traipu (Alagoas) são apresentadas como algumas das cidades com os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. O nível do português falado pelos entrevistados é apenas um detalhe que revela a realidade da exclusão naquelas regiões do Brasil. Pior do que isso é a condição sub-humana à qual estão submetidos os que lá vivem.

Com salários de quarenta reais por mês, não são poucas as mulheres que vêem no auxílio maternidade uma possibilidade de ganhar, por gestação, um valor aproximado ao que ganhariam em três anos de trabalho. Não é de se estranhar, portanto, que haja quem tenha 20 filhos. É de cortar o coração ver uma mãe chorar por saber que não pode realizar o maior sonho da filha - dar a ela uma boneca que chora; ouvir de uma senhora que tudo o que ela tem para dar aos seus filhos é um pouco de feijão com farinha; saber que uma dúzia de ovos custa mais do que 10% do salário de um trabalhador que se esforça para sobreviver.

Confesso que, durante a reportagem, surpreendi-me olhando para o cômodo no qual estava. Sentado em um sofá - jantando em frente a uma televisão - eu sabia que se eu quisesse repetir a refeição era só dar alguns passos até a geladeira e resolver o meu “problema”. Senti-me mal. De súbito, veio à minha mente nossa pronta-resposta: “esse problema não é meu. É do governo”. Ledo engano! Ainda que o governo seja grandemente responsável por isso, não dá para fechar os olhos diante de uma situação como essa.

Sei que é difícil mudar a situação de um país. Reconheço o desafio de engajar-me em obras sociais que distam milhares de quilômetros de minha casa. Não obstante, sei das possibilidades de ajudar os que, perto, necessitam de meu auxílio. Sei que comprar um pacote de pão a mais não afetará meu orçamento. Sei que preocupar-me com as necessidades alheias não fará de mim uma pessoa negligente quanto às minhas próprias necessidades.

É seu e meu o papel de incluir os excluídos! Imagino que você não faça parte dos rol dos excluídos. De outra forma, não estaria com uma internet conectada. Não estou falando de pessoas que ganham pouco. Estou falando de pessoas para as quais uma caixa de leite faz toda a diferença. Engaje-se nessa missão. Vamos incluir o Brasil dos excluídos! Uma pequena contribuição pode fazer uma grande diferença! Você sabe disso!

Nele, que viveu para incluir os excluídos,

Um comentário:

Marcelle disse...

Dani, não vi a reportagem mas foi bastante comentada por meus alunos hoje... aqui em casa também temos pensado muito no papel do cristão em "sua sociedade", e é claro nas nossas reponsabilidades. Ver o número de "evangélicos" crescendo e nada mudando para melhor, é realmente motivo de muita reflexão.
Esperamos fazer a diferença!