quarta-feira, 11 de março de 2009

O Evangelho e o Meio Ambiente



O século XXI tem sido marcado pelo retorno a algumas questões fundamentais que, por um bom tempo, foram desprezadas pela sociedade de maneira geral. Um dos assuntos mais atuais, a discussão acerca do aquecimento global, tem feito com que as nações repensem seus papéis na preservação de nosso ecossistema.

Ainda que louvável, esta preocupação com a preservação da natureza não deve ser função exclusiva dos governos, mas de cada indivíduo - como seres que foram criados à imagem e semelhança de Deus.

As Escrituras Sagradas, em seu primeiro livro, nos apresentam as seguintes palavras: Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para cultivá-lo e o guardar (Gn 2.15). De acordo com tal sentença, o Senhor estabeleceu como responsabilidade do homem o governo sobre o jardim onde havia sido posto.

Nenhum outro ser criado recebeu, além do homem, a incumbência de zelar pela preservação do jardim onde foi posto. Esta era uma tarefa daquele acerca de quem, quando criado, foi dito: “E eis que era muito bom” (Gn 1.31). O pecado, contudo, fez com que o homem, quase sempre impedido de olhar além de seu próprio ventre, não cumprisse com o mandamento estabelecido por seu Senhor.

Um aspecto que contribuiu para que chegássemos aonde chegamos foi a desagregação de dois elementos inseparáveis: a proclamação do evangelho e a preservação do meio ambiente. Como cristãos, vivemos boa parte de nossa história agindo como se apenas o aspecto espiritual fosse importante para Deus. Pouca atenção era dada a questões como zelo pela natureza, preservação de animais em extinção, etc.

O cenário hodierno tem contemplado mudanças na relação do homem com a natureza. Todavia, uma pergunta precisa ser feita no tocante a este assunto: Por que tanta preocupação, agora, para com estas questões? Que motivações têm levado a humanidade a agir em prol de resgatar a natureza que por tanto tempo desprezou? Estaria o homem, agora, zelando pela glória de Deus que se manifesta nas coisas criadas (Sl 19.1)?

É certo que não é esta a preocupação em foco! A rebeldia no Éden fez com que a raça humana rompesse com Deus, consigo mesma e com as demais coisas criadas. O homem, por causa da queda, perdeu de vista a perspectiva de que sua finalidade é “glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. Majoritariamente, a preocupação para com as coisas criadas não vem de um retorno ao entendimento de que Deus é glorificado quando o homem cultiva e guarda o jardim no qual foi colocado (Gn 2.15). Antes, vem da percepção de que, se não agir para reverter a situação, a estabilidade que ele [o homem] acha que construiu ao explorar a natureza será, em pouco tempo, substituída pelo caos.

A glória de Deus não tem sido a grande preocupação nas lutas ambientais. Muito mais motivador do que isso têm sido os incentivos fiscais, os estímulos e benefícios de grandes organizações e o medo do que poderá acontecer em um futuro não muito distante. O grande problema é que não poucos cristãos têm se portado da mesma forma que os ímpios. Não cuidam da natureza por ser ela o jardim de Deus e por sermos nós seus jardineiros; não enxergam o zelo para com o meio ambiente como um meio de glorificar a Deus e de fazer com que os homens vejam suas boas obras e glorifiquem seu Pai que está no céu (Mt 5.16).

Como povo de Deus que somos não podemos nos esquecer de que a proclamação das verdades nas quais cremos se dá com muito mais eficácia através de nossas ações do que de nossas palavras. Proclamarmos as verdades cristãs significa, também, agirmos em favor da preservação de tudo o que foi criado por Deus, para a sua glória. Sejamos cristãos integrais; proclamemos as verdades, quer através de palavras, quer através de ações; cumpramos o mandado de nosso Senhor! Que belo jardim temos para cuidar. Façamos isto, por amor daquele que nos amou primeiro e como demonstração do zelo pela glória do Criador!

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