quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sobre o serviço (2)

Foi a última lição do mestre. Tenho a impressão de que ele gostaria que aquela, mais do que qualquer outra, ficasse gravada na mente dos discípulos; por isso ter deixado por último. Mas pode ser só impressão. Fato é que, naquele dia, ele ensinou o que é servir. E cada vez que leio aquela história me vejo rindo, pensando na reação dos discípulos.

Ele era judeu. Sabia que refeições não foram feitas para serem interrompidas. Pelo menos não em Israel. E mesmo assim parou aquele jantar. Sem o menor constrangimento tirou a vestimenta de cima, tomou uma toalha, deitou água na bacia e passou a lavar os pés dos discípulos. Deve ter sido um choque. Dá pra entender a reação de Pedro, relutante em participar daquela estranha cerimônia. Como o convidado de honra faria o serviço de um escravo?

 Ele fez. Quebrou regras para ensinar valores. Ensinou que, no reino dos céus, princípios são mais importantes do que ritos e que, dos princípios, o do serviço é o maior. Lá, a regra é essa. Quer quiser ser o maior tem que ser o menor e servo de todos. Estranho, não? Mesmo assim eu acho que as coisas seriam diferentes se nós levássemos isso a sério. Não sei por quê.

Um comentário:

Fabio disse...

Sempre quebrando as "regras" em favor do amor! Muito bom o texto!