segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um Deus cheio de graça


Durante um bom tempo, a igreja evangélica sustentou a tese de que o Deus das Sagradas Escrituras era austero. Confundia-se, àquela época, seriedade com sisudez, reverência com circunspecção. Isso refletia, inclusive, na postura das pessoas quando elas entravam nos templos. Os sorrisos eram substituidos pela compenetração e as palavras pelo silêncio, até que fosse encerrada a liturgia na casa daquele Deus que nunca ria, se divertia, e ainda exigia dos seus filhos a mesma postura.
Nunca consegui enxergar dessa forma. Pra mim, Deus sempre foi cheio de graça. Com o passar do tempo, após leituras e releituras dos textos sagrados, torna-se cada vez mais clara a idéia de que Deus é o ser com o maior senso de humor já visto em toda a história.
O que dizer de um Deus que, ao informar a Abrão que nele seriam benditas todas as famílias da terra, pede que o patriarca abandone sua própria família para que tal promessa seja cumprida? Ou de um Deus que faz de um homem que nunca foi eloquente - pesado de boca e de língua como Moisés - o grande pregador do deserto?
O que dizer de um Deus que, escolhendo um rei para o seu povo, não o procura nas tradicionais escolas, mas nas colinas de Belém? De um Deus que, antecipando o sucesso dos desenhos animados, dá voz a um animal, fazendo com que um jumento dê recados de sabedoria a um homem que não consegue ouvir a voz do criador?
O que dizer de um Deus que promove, na Babilônia, a primeira sessão de bronzeamento artificial, ao fazer com que os amigos de Daniel saiam - no máximo - mais "queimados", enquanto seus opressores são imediatamente exterminados no meio daquela fornalha? Ou de um Deus que transforma carnívoros leões em seres herbívoros, para que seu servo seja preservado na cova?
O que dizer de um Deus que escolhe revolucionar o mundo não de Roma ou Atenas, mas de Nazaré? Que dá ao filho do carpinteiro sabedoria maior do que aos eruditos e doutores da lei?
O que dizer de um Deus que adentra Jerusalém montado em um jumentinho emprestado? Ou que, apesar de "ter berço" por ser da linhagem de Davi, nunca teve cama pra dormir?
O que dizer de um Deus que vai para a cruz para mostrar sua sabedoria? Que revela poder na fraqueza, transforma pequenos em grandes e os que não são em homens que são?
Eu não sei o que dizer. Tudo o que digo é que eu acho sensacional esse senso de humor divino. Definitivamente, o Deus das Escrituras é um Deus cheio de graça!

6 comentários:

Fabio disse...

Lendo, quase chegando ao final...já tinha eu comentário pronto, mas a sua última frase roubou o trocadilho que iria fazer....vou tentar outro..rs
A vida sem Graça não tem graça!
Abraços brow!

Daniel Amaral disse...

Fala Daniel; Linda mensagem! Me faz lembrar o querido Pietro Kronemberger... um rapaz muito abençoado pelo visto... pois é cheio de graça! :))) Abraços

Anônimo disse...

Acho que então ele deve ter dado uma boa dose desse bom humor pro vovô!
:)
Amamos vc!
Marina

Perdigoteira disse...

Olá Daniel!
Gostei muito do seu blog e, em especial, desse post, porque traduz muito do que acredito. Tenho visto o bom humor do Senhor na minha vida. E é ótimo quando a gente consegue rir com Ele :)

Vou ficar freguesa, viu?
Abração!

Daniel Leite Guanaes disse...

Fábio: manda ver e posta seu comentário pronto tb!
Daniel: Acho que o Pietro recebeu até demais, né!rs
Marina: Meu avô, realmente, nem se fala. É graça pura
Perdigoteira: Seja bem vinda ao blog! É verdade. Nada melhor do que rir com o Senhor!

Rejane disse...

O Deus das Escrituras é um Deus que além de muito criativo é surpreende e original. Sendo assim que alibi fantástico nós temos para sermos cheios de graça.