terça-feira, 5 de maio de 2009

Vendo Deus onde ninguém vê


     A teologia chama de graça comum as manifestações divinas que fazem com que vejamos seu favor através de meios pelos quais não costumamos ver. Isto é, fatos que revelam a imagem do Criador, sua bondade, amor e demais atributos que compõem seu ser. 
Simples na teoria, tal doutrina revela sua complexidade na prática. Digo isso, pois parece-me cada vez mais presente a tese de que Deus só é visto na vida daqueles que o seguem. Refiro-me, com isso, aos muitos evangélicos que não conseguem ver Deus em nada que ultrapasse os limites dos arraiais eclesiásticos.
Minha tese é comprovada pelo discurso que impera no evangeliquês moderno. Você já deve ter ouvido alguém perguntar com espanto: "Como você escuta essa música do mundo?" ou "Eu não acredito que você vai a shows, barzinhos, etc!"
Confesso que não entendo esse raciocínio. Isto, pois não vejo coerência em ninguém que o sustenta. Sim! Pois o mesmo sujeito que se priva de fazer algumas coisas "do mundo" assiste programas de televisão nas emissoras "do mundo", frequenta shopping "do mundo", hospitais "do mundo", restaurantes "do mundo", cinemas "do mundo", compra roupas em lojas "do mundo" e faz tudo o mais nos milhares de lugares "do mundo".
Você conhece alguém que faça todas estas coisas em espaços reservados exclusivamente para os evangélicos? Eu não. E nem quero! Quero ver Deus no mundo. Quero contemplá-lo também fora das igrejas. Na música de um poeta, na genialidade de um cientista, na precisão de um cirurgião, na didática de um mestre. Quero ver Deus na vida dos céticos, e onde mais Ele quiser se revelar. Essa é a beleza da graça comum; você vê Deus onde ninguém vê!

6 comentários:

Alex Favilla disse...

Foi exatamente esse pensamento que começou a me afastar da igreja. :/

Eu sou músico e o esse sempre sente falta da liberdade criativa. Tocava no louvor. Eu sinceramente nunca achei que Deus queria que nós só fizessemos músicas falando sobre ele. Ele quer que exploremos o mundo, que inventemos. Claro que de uma forma saudavel...

Bom o post.

Daniel Leite Guanaes disse...

Pois é, Alex. É isso que esse pensamento limitado tem provocado. Infelizmente. O bom é saber que tem muito cristão rompendo com essa cultura evangelical, fazendo música de qualidade, não necessariamente para tocar nos cultos das igrejas, e que - muitas vezes sem mencionar o nome de Deus - revela a beleza do Criador de maneira impressionante. Desiste da igreja não! Seja você um propagador da filosofia "sal fora do saleiro".
Abs

Anônimo disse...

Dani, tem toda razão!
Beijos de nós dois aqui!
:P
Marina

Thiago Mendanha disse...

Tubo bem, Daniel...

Você pode postar suas resenhas no blog Livros só mudam pessoas à vontade. É só me passar seu email que mando um convite p/ postar lá no blog.

Parece-me que você não está participando do mob. Mande sua lista de leitura desse ano para livrosepessoas@gmail.com e entre no ranking de leitura.

Abraços!

Jonathan Menezes disse...

Ei Daniel, boa reflexão cara, gostei mesmo! Precisamos transgredir um pouco essa visão tapada crentês, afinal estamos no século XXI e não é possível que depois de tanto tempo ainda continuemos com a mentalidade missionária do século XIX.
Abs,
Jonathan

Daniel Leite Guanaes disse...

Pois é, Jonathan. O problemaé que os históricos acham que espiritualidade é manter a liturgia de Calvino e a agenda de Kalley ou Simonton. Os pentecostais, por sua vez, acham que espiritualidade é romper com tudo (com a Palavra inclusive).
Nosso desafio é romper com os dois extremos.
abç