sábado, 12 de dezembro de 2009

Uma mulher e um cântaro

Uma mulher e um cântaro. Buscando água em terra seca, ao sol do meio dia. É óbvio que não queria ser encontrada por ninguém. Todas as suas amigas já haviam buscado água cedo pela manhã, ou iriam no fim da tarde - momentos em que o sol era mais fraco. Não ela. Prefiria a força do sol sobre sua cabeça à possibilidade de expor sua tragédia a quem quer que fosse. O sol rachando lhe traria menos dor de cabeça. E assim o fez. Partiu para o poço quando ninguém partiria.
Isso foi o que ela pensou. Não querendo se encontrar com ninguém, deparou-se com alguém. E mesmo tentando ignorá-lo, foi surpreendida por um pedido de água. Isso a deixou confusa, pois a relação judeus/samaritanos não era das mais fáceis.
Conversa vai, conversa vem, aquele que pedia água passou a oferecê-la. Aquela simples proposta lhe pareceu irresistível, posto que ela se rendeu à água da vida. Viu seu cântaro encher. E diz a história que, milagrosamente, ele nunca mais esvaziou. Tudo porque, numa tarde de sol, aquele que vive para encher cântaros vazios se encontrou com aquela mulher que fez o possível e o impossível para não se encontrar com ninguém!

Um comentário:

Anônimo disse...

Essa hora que Ele acha a gente quando a gente não quer se encontrar com ninguém é sempre maravilhosa!
Texto lindo!


bjs,

Marina