terça-feira, 6 de abril de 2010

Deus e as enchentes

De longe tenho acompanhado, desde o início do verão, o problema das intensas chuvas no sudeste do Brasil. São Paulo, particularmente, e Rio têm sofrido com as águas que descem dos céus. Adiciona-se a isso o comprometido sistema de escoamento, fazendo com que em poucas horas ruas se transformem em rios. E Deus? Onde está, no meio deste caos?

Cabe destacar que nossa leitura deste problema é diferente daquela feita pela maior parte dos afetados pelas enchentes. Usualmente, os mais prejudicados por tragédias de ordem pluvial estão entre as camadas mais pobres da população. Para eles, as enchentes não representam apenas um caos no trânsito. Antes, indicam o risco de perder eletrodomésticos, sua casa (muitas vezes em condições e lugares inapropriados), e até mesmo a vida.

Há quem, diante disso, argumente a ausência de Deus; não de sua existência, mas de sua capacidade de ação. Dizem, estes, que o Criador escolheu não mais saber o que acontece na história, sendo, assim, pego de surpresa por eventos como estes. Como consequência, está incapaz de intervir nos fatos e reverter as circunstâncias. Sofre, mas nada faz.

Há, ainda, quem veja tais fatos como juízos de Deus - à semelhança do que aconteceu nos dias de Noé. Dizem que a taça da ira de Deus está sendo derramada, e que as recentes tragédias refletem a intensidade do furor de Deus diante de uma raça rebelde.

Penso não estar a resposta em nenhum destes dois extremos. Deus está, sim, a agir na história. Apatia e indiferença nunca foram escolhas de um ser que tem o amor como sua essência. Por outro lado, juízo e cólera não passam de respostas simplistas, míopes e inconsistentes, que apresentam o Criador como alguém que tem prazer na morte daqueles que criou à sua imagem.

Deus sofre com as enchentes. Jamais se regozija na morte de seres humanos. Nunca ri vendo alguém chorar. Trabalha incessantemente, protegendo não somente seu povo, mas todos os homens de males maiores. Está presente nos livramentos e nos lutos; sempre agindo; sempre se importando; como sempre fez e sempre fará.

2 comentários:

Anônimo disse...

Leia o livro: "Decepcionado com Deus" de Philip Yancey.

Daniel Guanaes disse...

Já li. Yancey é muito bom.