terça-feira, 25 de maio de 2010

Falando grego do púlpito

Creio ser conhecida de todos a expressão "parece que ele está falando grego". Costumamos dizer isso quando estamos diante de assuntos ou linguagens que nos são completamente estranhos.
Existe um 'grego teológico', estranho a muitos, mas necessário àqueles que se dedicam ao estudo da teologia. Seu conhecimento é fundamental para o domínio dos textos do Novo Testamento. É por isso que, nos cursos de teologia, os estudantes são apresentados a esse idioma conhecido como grego Koiné - hoje restrito aos textos antigos.
É indiscutível a utilidade dessa ferramenta no conhecimento mais profundo dos textos bíblicos. Conhecer o idioma original do texto expande indescritivelmente nossa relação com o universo da Bíblia. O que é discutível, em minha opinião, é a utilidade do mesmo na no momento de se pregar uma mensagem de um púlpito.
Tenho chegado à conclusão de que muitos pregadores acham que seus ouvintes são tão apaixonados por teologia quanto eles. Pensam que eles vão com suas famílias à igreja todos os domingos só para saber mais sobre as declinações gregas e suas variantes; sobre questões fonéticas e diferenças entre o grego bíblico e o moderno. Só pode ser! Porque que outra explicação há para tanta mensagem em torno destas questões?
Não penso que não sejam questões importantes. E até acredito que haja pessoas, nos bancos das igrejas, que se interessem por estes assuntos. Mas afirmo que se trata de uma minoria contada nos dedos.
O papel do pregador não é dar aula de grego no púlpito. Ele até pode transmitir o conhecimento adquirido em seu curso em suas pregações. Na verdade, é até bom quando o faz. Contudo, isso precisa ser feito de forma mastigada, leve e esporádica. De outro modo, sempre vão achar que ele está 'falando grego' do púlpito.
Na igreja vale o bom, simples e compreensível português. Bem falado; contextualizado e ungido. Mais do que isso... já vira conversa de grego.

2 comentários:

Marcos Botelho do JV disse...

Muito bom Daniel!!!
E mesmo muitos dos que citam grego só sabem o básico, nem conhece muito bem a língua, o fazem para mostrar que tem a chave da interpretação "verdadeira" ou simplesmente para aparecer.

Como sempre falei, nos seminários existem um acordo na aula de grego e Hebraico, o professor finge que ensina e os alunos fingem que aprenderam! hahahhaha

Daniel Guanaes disse...

É Botelho... a regra é essa mesmo...hahaha