terça-feira, 17 de agosto de 2010

Minha opinião sobre a Época dos evangélicos

Parece que essa é a Época dos evangélicos. Por onde se passa, no meio eclesiástico, encontra-se pessoas falando sobre a matéria que foi capa da revista na última semana. As opiniões são as mais diversas, e cada um justifica as suas da maneira que acha conveniente. Demorei pra escrever sobre o assunto. Li a matéria e o que muitos escreveram ou disseram sobre ela. Ainda que tarde, segue o que penso sobre tudo.
De imediato, sempre estranho quando uma revista veicula positivamente alguma notícia sobre o segmento que conhece como evangélico. A imprensa - muitas vezes coberta de razão - costuma destacar os fracassos do protestantismo brasileiro, geralmente com um sensacionalismo que lhe é peculiar. Matéria de capa, então! Só quando o escândalo é mundial.
Desta vez, contudo, foi diferente. A reportagem destacava a insatisfação de um grupo, chamado de "novos evangélicos" com o modus operandi do evangelicalismo tupiniquim. Um grupo que está cansado da profanação do evangelho de Cristo, da banalização da graça e da exploração da fé.
Concordo com muito do que disseram os 'novos evangélicos'. Concordo com a horizontalização de uma igreja verticalizada - que insiste em colocar o 'clero' acima do 'laicato'. Concordo com o repúdio à comercialização da graça. Concordo com a indignação de ser identificado com Macedo, Santiago e Cia. quando me apresento como pastor. Concordo com a necessidade de se viver as antigas verdades com uma cara nova; e por isso tenho lutado.
Mas não acho que os 'novos evangélicos' representam uma parcela significativa do evangelicalismo no Brasil. Não me refiro a questões ideológicas. Refiro-me ao espaço que ocupam, ainda que merecidamente. São pastores que se encontram em posições quase utópicas para a maioria dos pastores brasileiros - em termos de estrutura material, pessoal, financeira, etc. Tal qual os entrevistados, muitos se indignam com a atual realidade do protestantismo brasileiro. Poucos, contudo, têm condição, espaço e liberdade para expressar sua indignação, como fizeram os pastores da reportagem. A maior parte dos pastores no Brasil é formada por homens que vivem limitados pelas instituições às quais servem. Homens que não lutam por saberem que há um alto preço a ser pago quando se escolhe levantar-se contra um sistema. Que se conformam por não terem suporte ou estrutura para romperem o status quo e caminharem de forma independente. Há muito inconformado que não levanta a voz. E não se trata de covardia. Chamá-los de covarde por isso, na verdade, que é uma grande covardia.
Os 'novos evangélicos' não salvarão o protestantismo brasileiro. E nem penso que estejam se propondo a isso. Essa parece ser a Época deles. Mas também é a época de muito evangélico que dificilmente irá pra Época, mas que tem lutado e vivido para fazer dessa época no protestantismo no Brasil o que há de mais próximo do ideal proposto por Cristo.

Um comentário:

Daniel Amaral disse...

Fala Daniel

Tema interessante.

Isso me faz refletir que Cristo não espera que eu viva um evangelho simples. Mas que sejamos soldados de Cristo, lutando o bom combate.

Grande abraço

Daniel Amaral