sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sobre aquele 11/09

Houve quem disse ter visto demônios nas nuvens de cinzas das torres gêmeas. E também quem tenha interpretado os atentados como uma das maiores investidas das trevas contra o reino de Deus. Não poucas igrejas, sobretudo nos EUA, interpretaram o episódio como um grande sinal da iminente vinda de Cristo. Naquela terça-feira o mundo parou para assistir o início do Armagedom.
Ciente da possibilidade de enxergar tal tragédia sob múltiplas perspectivas, visto as lentes teológicas, com as quais estou acostumado a observar o mundo. Sei que elas podem me levar a ler o acontecimento de forma fundamentalista. Fujo, contudo, dessa visão como o diabo da cruz. Não acho que a explicação para tudo o que aconteceu seja o juízo de Deus sobre uma nação - ainda que esteja certo da realidade deste atributo no ser divino.
É impossível, a mim, enxergar na Bíblia um Deus que, para julgar um povo, faz algo cujo poder de destruição vitimiza, por consequência, - a curto, médio e longo prazo - infinitamente mais pessoas de outros povos do que do suposto julgado. Não nego, com isso, a realidade de aspectos espirituais no 11/09. Um mundo criado e regido por um Deus que é espírito e habitado por uma raça que é alma vivente é, consequentemente, espiritual em todas as suas esferas. Mesmo assim, não parece sensato atribuir a seres espirituais o que foi orquestrado por gente de carne e osso.
O atentado do 11/09 não foi uma investida das trevas contra a luz. Foi uma investida do homem contra o homem. Foi mais um capítulo da luta de uma raça desunida. Uma raça cuja maldade chegou aos céus faz tempo, e que tem tido que conviver com as consequências da escolha de fazer do próximo um inimigo, ao invés de um aliado.
Sei que a história não é tão simples, mas no fundo este é o grande problema da humanidade. Ao escolhermos romper com Deus, escolhemos romper com tudo o que ele fez, e com a forma com ele disse que deveríamos fazer o que quer que fosse. Rompemos, assim, com o próximo. Rompemos com o compromisso de sermos uma raça unida. Rompemos com o senso se coletividade, com as preocupações sociais e com o zelo pelo que não é nosso. Rompemos com a possibilidade de coexistirem divergências de forma pacífica, com o respeito pelas diferenças e com a valorização inclusive do que não nos beneficia de forma direta.
O 11/09 que marcou a história não foi uma luta de anjos e demônios. Foi mais uma batalha da guerra entre os homens; uma reedição deste livro sangrento que começou a ser escrito em um jardim, e que, para muitos, não terá final feliz, a menos que seu primeiro capítulo seja refeito pela graça de Cristo.

Um comentário:

Anônimo disse...

D,MQFA: este texto bem que poderia,
por si,em recurso de auto-animação,criar asas, voar por aí e
convidar: "leiam-me". Brilhante. Valmy.