terça-feira, 19 de outubro de 2010

Endireitando as flores caídas no caminho

Falar sobre um cristianismo ecológico soa redundante. É como discorrer sobre uma chuva molhada, sobre um sol quente, ou sobre um sorvete gelado. Ainda assim, parece cada vez mais necessário falar da fé cristã desta forma. Há óbvios que, de tão óbvios, parecem relegados ao esquecimento. São questões que todo mundo sabe, mas que vive como se não soubesse.
Dispensa explicações a centralidade das questões ambientais no cenário político mundial. Discute-se aquecimento global, escassez de recursos naturais, diminuição da área verde no planeta, extinção de espécies e tanto outros fatores que envolvem a relação do homem com a o meio ambiente. Preocupações - motivadas por questões das mais diversas naturezas - são reveladas todos os dias nos quatro cantos da terra.
E, incrivelmente, há quem julgue ser esta causa tarefa dos que chamam de ambientalistas. Não poucos cristãos aplaudem o trabalho dos que se engajam nesta longa e muitas vezes silenciosa luta, limitando-se a isso; como expectadores, enaltecem o labor alheio.
Vale lembrar que a fé cristã é essencialmente ecológica. Isso significa que as causas ambientais estão sempre na pauta de suas lutas. Gênesis e Apocalipse dão a dica para a percepção desta verdade; toda a peregrinação da raça humana - criada com graça e voluntariamente submetida à desgraça - se dá entre a saída de um jardim e a entrada em outro (ou o retorno ao primeiro).
Por que, então, com tanta frequência se negligencia o caráter ecológico do movimento fundado por Jesus Cristo? Porque os homens deste movimento são parte daquela raça que saiu do jardim. Ainda que estejam a caminho do lugar de onde saíram, caminham oscilando entre se perder e se encontrar em sua missão. Esquecem-se que, tanto de onde vieram quanto para onde vão, a tarefa de cuidar das demais coisas criadas lhes foi incumbida - e a eles somente.
Cristo reconcilia Deus com o mundo. Não apenas com os homens; com o mundo. Porque se - pela inimizade dos homens - tudo foi amaldiçoado, pela amizade dos homens tudo será reconciliado. Deus e os homens; os homens e o mundo; Deus e o mundo. O movimento de Cristo é o movimento do retorno ao jardim de Deus. E enquanto não se chega lá, vai-se endireitando as flores caídas pelo caminho.

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá, amado! Muito bom o seu blog. Gostei muito. Meu marido chegou a comentar comigo no dia que ele entrou e resolvi dar uma olhada. Eu gostei. Que Deus abençoe sua vida e seu ministério.
Um beijo, Ana Paula V.

Anônimo disse...

Será? Será???

Não pode ser!!! Isto está parecendo fraude.. coisa do Angelo ou do Andre comédia... enfim. Acredito até mesmo q tenha sido vc num surto de gracinha... querendo me zoar!!!