quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Alguém entende?

Crítica faz bem pra saúde. Pessoas sem senso crítico correm sério risco de viverem marcadas por uma imaturidade alienante. O mundo dos contos de fadas não foi feito para a vida real - ainda que muitas vezes esse seja o nosso desejo. A realidade é mais cruel do que os desenhos e livros, e o final feliz dos romances nem sempre encerra os capítulos de nossa vida.
Ainda assim, é importante checarmos periodicamente as razões pelas quais criticamos, seja lá o que for. A crítica pela crítica azeda a vida com espantosa facilidade.
Não é de hoje que a igreja cristã tem sido criticada. Olhares internos e externos pontuam o Cristianismo à partir de suas próprias perspectivas, tecendo comentários sobre a atuação dos discípulos de Cristo no mundo. E há mais saúde nisso do que muitos imaginam! Contudo, recentemente tem-se desenvolvido uma cultura - sobretudo no protestantismo brasileiro - de criticar como forma de se distinguir e auto-afirmar. E essa eu não entendo!
Não tenho um olhar ingênuo sobre o evangelicalismo no Brasil. Aqui mesmo já escrevi diversas vezes sobre a lamentável realidade que permeia boa parte dos arraiais cristãos protestantes nessa nação. Ainda assim, também não acho que esteja tudo perdido. E, não sei porquê, não consigo comprar o discurso dos que, de dentro, anunciam a tragédia como se fora estivessem; dos que criticam os do lado como se estivessem acima; dos que olham pra criatura como se criadores fossem.
Não entendo, por exemplo, os que generalizam o problema da igreja evangélica brasileira, sabendo que sob a bandeira do evangelho no Brasil há grupos que convivem tal qual água e óleo no mesmo recipiente, tamanha a discrepância doutrinária e prática entre eles.
Não entendo os que criticam a importância da teologia, quando, ao passo que fazem isso, constroem para si outra.
Não entendo os que se cansam da igreja e fogem dela, criticando-a, mas que começam a se reunir com um grupo para estudar o evangelho e louvar a Deus, supondo não ser aquilo uma igreja.
Não entendo os que criticam qualquer investimento eclesiástico que não vise benefício social, mas que vivem viajando pelo mundo para descansar do stress nos resorts da vida, como se a responsabilidade social fosse apenas da instituição, e não pessoal.
Não entendo os que acham que ser pós-moderno é negociar a base do evangelho, ignorando que essa heresia é mais antiga que andar pra trás.
Não entendo esse grupo de dentro que acha que está fora. Aliás, alguém entende?

Um comentário:

Daniel Amaral disse...

Fala Daniel;

Pura verdade! Um povo que não cria reflexão tende à alienação, e a ser dominado.

Se não criamos novos paradigmas, permanecemos estacionados no tempo e no espaço, e acabamos por desprestigiar a graciosa sabedoria que Deus nos concedeu.

Ps: Adorava a aula de filosofia da faculdade...rsss

Abs;

Daniel Amaral