quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cristo, a igreja e o mundo

É possível fazer pelo mundo o que Cristo fez pela igreja? Essa é uma pergunta que não poucas vezes ouço de gente que quer entender a missão da igreja no mundo. Automaticamente, a resposta de qualquer pessoa que zele pela ortodoxia é "não". Ninguém daria a vida pelo mundo como Cristo deu pelo seu povo. E ainda que o fizesse, jamais surtiria o mesmo efeito.
De fato, tal resposta faz todo sentido. Ainda assim, também faz sentido pensar em fazer pelo mundo o que Jesus fez pela igreja. Porque Jesus fez mais do que morrer pelos que comprou. Ele também viveu por eles.
É muito comum associarmos o discurso do anjo à Maria "e ele salvará o seu povo dos pecados deles" com a morte vicária de Cristo. Falamos do corpo ferido e do sangue vertido como as maiores expressões de amor de Jesus pelos seus. E ainda que correto, tal discurso está incompleto. A salvação oferecida por Cristo também passa pela vida que ele viveu. Sua obediência não foi apenas passiva; foi também ativa. Isto é, ele não salvou os seus pela morte; também o fez pela vida de obediência que viveu.
É nesse último sentido que a igreja pode fazer pelo mundo o que Cristo fez pelo seu povo. Morrermos pelo mundo não o salvará dos seus pecados. Nem vivermos por ele, é verdade. Isso, pela simples razão de não termos condição de salvar quem quer que seja - visto que nem a nós mesmos salvamos. Contudo, quando vivemos pelo mundo fazemos com que ele conheça o caminho da salvação. Uma vida em obediência à Cristo, caminhando sobre suas pegadas, leva o mundo inevitavelmente ao cenário da cruz. E ali ele é redimido. Daí o valor de fazer pelo mundo o que Cristo fez pela igreja!

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