quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A fé dos maduros

Toda escolha vem acompanhada de riscos. Para cada ação há respostas mil, que se manifestam das mais variadas e inesperadas formas. No caso da fé cristã, um risco que lhe é inerente é o mau uso da liberdade oferecida por Jesus de Nazaré. Tamanho é seu risco, que muitos preferem - a fim de minimizar os males - estabelecer para si e para outros cercos jamais propostos por Jesus para a caminhada de quem se propusesse a segui-lo.
Nunca gostei destes cercos oficiosos em nome da preservação face o erro. Afinal de contas, foi para a liberdade que Cristo nos libertou. De que adianta substituirmos as amarras das trevas pelas amarras da religião? Qual o sentido de ser liberto do que Deus chama de pecado para ser refém do que os homens julgam ser pecado? De novo, foi para a liberdade que Cristo nos libertou.
A questão a ser pensada, portanto, é: de que forma viver a liberdade concedida pelo Nazareno? A maturidade parece ser a resposta bíblica para essa pergunta. Sim. Pois a fé cristã é a fé dos maduros. Não necessariamente dos que a galgaram, mas certamente dos que a têm como um alvo a ser perseguido. E maturidade é não permitir que a liberdade se transforme em libertinagem. É entender que por mais que haja, a princípio, uma gama de possibilidades a serem escolhidas nos mais variados assuntos, essas possibilidades diminuem quando filtradas pelos valores que norteiam nossas escolhas.
Paulo tinha razão. Não dá para ser cristão e se contentar com maturidade da primeira infância. No reino de Deus, quem não amadurece, retrocede. Ver o tempo passar e não crescer com ele é como nunca ter ajustado o relógio da terra com o relógio dos céus. Há quem nunca entenderá seu discurso; e é compreensível que estes vivam como tais. Estranho é quando os que o compreendem vivem como se nunca tivessem se deparado com ele.
Mas cada um sabe o que faz. E maturidade não se compra. Se constrói. Com muitos erros, muitos acertos, muitos retornos e muitos recomeços. Todos eles debaixo da graça, e sempre com os indissociáveis riscos que acompanham a caminhada de quem deseja chegar lá.

Um comentário:

@alexpralon disse...

Gostei bastante do texto, parabéns.
De fato, ainda temos muito o que aprender nessa longa empreitada da fé cristã, onde é uma realidade explicitada para todos que querem ver que mentalidade das comunidades evagélicas aprisiona(escraviza) e não liberta. Ainda somos meninas na fé.