terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Idiossincrasias Protestantes

Toda confissão religiosa é marcada por desencontros entre seu sistema doutrinário e sua prática popular. Sempre haverá algum lugar no qual a fé do povo não caminhará em consonância com a fé dos seus textos sagrados e confissões. Em nosso país, por exemplo, fala-se da miscigenação prática entre cardecismo, romanismo e religiões afro-brasileiras. Há quem diga que o bom brasileiro confessa a fé romana, lê o evangelho segundo o espiritismo e é protegido por orixás.
É nessa configuração religiosa de sincretismos e contradições que se fortalece a altivez do olhar protestante sobre as demais confissões presentes no cenário brasileiro. Um dos orgulhos dos descendentes da Reforma é a autoridade da Bíblia Sagrada como norma de fé e prática para a vida cristã. Nenhum credo protestante deixa de mencionar a supremacia das Escrituras. E o faz corretamente.
Acontece que as idiossincrasias protestantes também têm suas contradições. Protestantes não crêem na regeneração pelo batismo, mas muitos batizam seus filhos só pra garantir caso algo aconteça. Protestantes defendem a salvação pela graça, mas muitos fazem obras para obterem o favor de Deus. Protestantes sustentam a suficiência de Cristo, mas muitos fazem de outros elementos amuletos que fortalecem sua fé.
Em termos de contradições, somos mestres - a despeito de nossas confissões. Nem sempre o que cremos combina com o que fazemos. Mas isso não deve ser um aval para acentuarmos ainda mais nossas incongruências e potencializarmos os desencontros entre a doutrina e a prática. Antes, deve ser um alerta para que, cultivando uma vida de humildade, nos esforcemos para minimizar os desencontros, fazendo com que convicção e ação caminhem da maneira mais harmoniosa possível.

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