domingo, 9 de janeiro de 2011

Pelo descanso

A Revolução Industrial mudou o ritmo do mundo. Nunca antes na história se teve tanta noção de produtividade como a partir de então. A equação custo/benefício passou a ganhar mais atenção dos homens, e os lucros proporcionados pelo novo estilo de vida esconderam o preço que a humanidade teria que pagar com sua nova maneira de caminhar.
Um dos maiores comprometimentos da nova forma de viver foi a alteração no conceito de descanso. Ele ganhou nova cara. Diante da necessidade de produção e da - cada vez menor - distinção entre o homem e suas máquinas, o descanso passou a ser prerrogativa de dois grupos: o da elite e o dos marginalizados. Para o primeiro, o descanso era um luxo possível de ser desfrutado. Para o segundo, uma consequência da sua impossibilidade de fazer qualquer coisa. 
Para todos, parar deixou de ser uma necessidade. E isso comprometeu a médio e longo prazo a história dos homens.
Não é preciso ser conhecedor da tradição judaico-cristã para saber os riscos que se corre quando se relega o descanso ao rol dos itens desnecessários para a vida. Basta que se seja um bom observador da raça humana. Chaplin encerrou o filme 'O Grande Ditador' com as palavras: 'Nós desenvolvemos a velocidade, mas nos fechamos em nós mesmos. Máquinas que nos dão abundância nos deixaram em necessidade... Não sois máquinas! Homens é que sois!'. Como ateu, foi um grande profeta.
A vida pede descanso! E quem ignora seu clamor paga alto preço. Quem quer que conheça sua natureza sabe que descansar nunca foi nem nunca será um luxo, mas uma necessidade para quem deseja, em qualquer época e sob qualquer paradigma, viver bem.

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