segunda-feira, 9 de maio de 2011

Osama e a celebração da morte

Na última semana o mundo parou para ouvir sobre a morte de Bin Laden. Não esperava que muitos chorassem por ele. O que este terrorista fez e representou durante pelo menos uma década para o Ocidente é imensurável. A dor dos seus cruéis atos era multiplicada vezes sem conta com as frias e desumanas justificativas apresentadas por ele mesmo nos vídeos com os quais assumia publicamente a responsabilidade pelo que fazia.
A ação foi desastrosa em todos os sentidos. Não que Bin Laden não devesse estar preso. Mas que todo o processo rompeu com uma série de questões inegociáveis. Democraticamente, o ato foi uma afronta aos direitos de todo e qualquer ser humano que se renda à prisão. Foi homicídio; em menor escala, mas como os que ele cometeu. Politicamente, um atentado contra a soberania de uma nação invadida. O Primeiro Ministro paquistanês afirmou ter tido conhecimento da ação quinze minutos depois de ela ter acontecido.
Tão trágica quanto a ação foi a celebração do seu desfecho. Discursando por seu novo troféu, o presidente norte americano confundiu vingança com justiça. Incitou o mundo a celebrar a morte daquele que deveria estar preso. Foi mais uma demonstração da banalização da morte. Festas foram celebradas ao redor da Terra como quando se ganha uma Copa do Mundo. Isso, não apenas porque um homem morreu. Mas porque - terrível que ele tenha sido - foi assassinado.
Há coisas em nossa caminhada sobre as quais jamais deveríamos perder a reverência. Uma delas é a morte. Ela não foi feita para ser jubilada. Nem sempre é preciso pranteá-la, é verdade. Mas celebrá-la é uma afronta à vida. É atestar que, no caso de alguns, nos sentimos aptos para proclamarmos nossa sentença: a interrupção da existência pelo bem da sociedade.
Bem à sociedade faremos quando, na luta pela ordem, não fizermos uso dos mesmos elementos utilizados pelos que vivem pra promover a desordem. Quando não escondermos nosso desejo de vingança atrás de um suposto senso de justiça. Quando - como ensinou o Mestre de Nazaré - interrompermos ciclos de violência com gestos de amor. Quando - tal qual afirmou Gandhi - entendermos que "olho por olho e o mundo acabará cego". Quando voltarmos a reverenciar a morte e deixarmos a celebração apenas para a vida.

3 comentários:

David Romer disse...

Excelente texto, muito próprio, atual e característico do caráter de nosso Bom Pastor. Retirando os arbustos para que o caminho estreito possa ser visto para quem tiver olhos, pois é triste encontrar até mesmo cristãos confusos em celebrar fatos como estes. Graça e Paz vaso!!!

Anônimo disse...

Esse texto deveria ter sido divulgado nos principais meios de comunicação do país. Parabéns!

Daniel Guanaes disse...

Me ajuda aí, poxa. rs :)