sábado, 18 de junho de 2011

Sobre Love Wins

Acabei de ler Love Wins, último livro do popular pastor norte americano Rob Bell, fundador da Mars Hill Bible Church, em Grandville - Michigan. A obra foi mais falada antes de ir para as gráficas do que depois de seu lançamento. Seu vídeo de divulgação (veja aqui) levou pastores a reagirem negativa e precipitadamente em algumas redes sociais, gerando uma grande polêmica sobre a [não]ortodoxia do autor, potencializando o número de vendas e levando Rob Bell para as principais revistas e emissoras de TV dos EUA.
Love Wins, como seu sub-título anuncia, fala sobre céu, inferno e o destino de todas as pessoas que já passaram pela terra. Com uma proposta de trazer de volta à mesa a discussão sobre estes que são assuntos centrais para a fé cristã, Bell fez ver que - para muitos - alguns temas são dogmaticamente intocáveis. [Re]Pensá-los é romper com a ortodoxia (qual?), assumir-se herege e ser digno de fogueira. 
O livro começa com diversas perguntas. Usando a analogia de Francis Schaeffer, é possível dizer que Bell se propõe a destelhar a casa de seus leitores para mostrar algumas possibilidades além daquilo que, por diversas razões, eles julgam ser verdade. 
Começam, então, as lucubrações concernentes aos dois grandes temas do livro. O ponto de partida de Bell é a necessidade de se enxergar estas duas realidades como algo mais do que lugares físicos inaugurados em um futuro escatológico. Com razão, o autor argumenta que - geralmente - quem se preocupa muito com um céu ou inferno por vir se esquece da atual presença deles entre nós. Em reação a essa tendência natural de se enxergar estas realidades sob uma ótima excessivamente futura e transcendente, o autor se empenha em mostrar quão presente e imanentes céu e inferno são.
É nítida a influência do teólogo britânico N T Wright sobre Rob Bell em sua aproximação dos textos sagrados - em especial neotestamentários. Segundo Bell, alguns termos bíblicos precisam ser revistos, já que constumam ser interpretados mais a partir de pressupostos teológicos e filosóficos do que exegéticos.  Céu e inferno estão entre eles.
Sobre o tão sugerido universalismo de Rob Bell, o livro pouco fala. Mostrando que a compreensão da salvação de todos os homens é uma tese sustentada por cristãos desde os primeiros séculos desta era, o autor se limita a dizer que não cabe ao homem dizer quem vai para este inferno futuramente inaugurado. É mais importante, ele sugere, cuidar de quem está vivendo o inferno estabelecido no presente, uma vez que o que Deus tem para os homens não é algo a começar, mas que já está entre nós.
Honestamente, gostei do livro e pouco pensei no suposto universalismo do autor. Gosto de quem se propõe a pensar e não me vejo no direito de dizer quem está dentro e quem está fora. Ortodoxia orgulhosa, a mim, escandaliza mais do que heterodoxia generosa. Não foi o livro do ano, mas me fez refletir sobre muito do que foi escrito e gerado a partir de sua existência. No final, ele tem razão: o amor vence - dê a você isso o direito de pensar o que quiser a respeito de quem escreveu e de quem, concordando ou discordando, leu.

2 comentários:

Julia disse...

Dani,
O que seria esse Universalismo que tanto os críticos falaram a respeito?

Bjs,

Júlia

Daniel Guanaes disse...

Júlia,
universalismo é uma hipótese teológica que ensina que Deus, no fim, salvará todas as pessoas - independentes de elas terem se aliançado com ele através de Cristo ou não. De fato, o universalismo não encontra sustentação bíblica.
É disso que Rob Bell é acusado por causa desse livro chamado Love Wins, o que me pareceu ser um grande exagero. Chamam-no de universalista por "pensar fora da caixa".
bjs