terça-feira, 12 de julho de 2011

Fé na mente e razão no coração

Escrevendo à igreja da capital do Império Romano, Paulo - o apóstolo - a fez lembrar da importância de cultuar a Deus de forma racional. Tratava-se de um convite ao uso da lógica na adoração a um ser que se permite conhecer, ainda que, por uma impossibilidade óbvia, jamais exaustivamente: o finito nunca conterá o infinito.
Como os extremos são mais fáceis de serem trilhados, é notória a existência de duas tendências no exercício do culto a Deus: a do racionalismo e a do sentimentalismo. 
A primeira ganhou força, no Cristianismo Protestante, com o advento do Iluminismo. Como a religião passou a ser investigada a partir de pressupostos filosóficos iluministas, a fé passou a ser vivida dentro dos limites da razão. Kant foi a base teórica propulsora dessa realocação do divino na vida da sociedade. Desde então, há quem pense Deus exatamente nestes termos, tomando a razão como critério máximo de veracidade e credibilidade na experiência com o sagrado.
A segunda tendência, ainda que mais antiga do que a primeira, tem ganhado cada vez mais força em tempos pós-modernos. Se a máxima da modernidade foi o racionalizar, a da presente era é o sentimentalizar. Nada faz tanto sentido para essa geração quanto aquilo que se sente - ainda que não tenha o menor sentido. O prazer da experiência suprime todas as demais coisas, inclusive os possíveis limites da razão.
E como viver logicamente, sem cair nos extremos do racionalismo e do sentimentalismo? Como raciocinar sem racionalizar em excesso, ou experimentar sem sentimentalizar em demasia? É fato que um culto racional exige uma fé reflexiva, e que qualquer experiência significativa exige sensibilidade aos sentimentos nela evocados. Ainda assim, o engodo dos extremos é facilmente encontrado.
Parece-me que há uma possibilidade quando a equação fé na mente e razão no coração entra em ação. Sim. Fé na mente e razão no coração, e não o contrário. Porque crer também é pensar, e raciocinar também é sentir. Porque não há de haver frieza na mente ou irracionalidade no coração. Porque os dois, na verdade, são partes complementares de um só.
A integralidade da vida é a chave para se evitar os extremos. Uma visão polarizada destes elementos nos levará a um lado ou ao outro. Encará-los como parte integrantes de um único sistema nos possibilita fazer com um algo que achamos ser função exclusiva do outro. Quem se permite pensar com o coração e acreditar com a mente ganha mais do que quem só pensa com a mente ou só acredita com o coração. É verdade. Meu coração me falou. E minha mente acreditou.

Um comentário:

CUMPADRE MANEL disse...

Bom texto. Parabéns.
Os prebiterianos devem usar seu tempo de entretenimento lendo mais sites como estes e vendo menos CQC's ou qualquer instrumento maligno semelhante.