segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Especial Graça Comum

A escola clássica da Teologia Reformada divide, didaticamente, a doutrina da graça em duas categorias distintas em propósito e abrangência: comum e especial. Por graça comum, entende-se a manifestação do favor divino a todos os filhos de Adão e filhas de Eva, independente das escolhas que fazem na vida e do tipo de relação que cultivam com o Criador. É o favor que sustenta a criação. A graça especial, por sua vez, é compreendida como a manifestação do favor divino aos filhos de Adão e Eva que têm - sem que nada tenham feito para tal -  os seus olhos descortinados e passam a contemplar o amor salvífico do Criador. É o favor que redime a criação.
Por ser a segunda mais completa do que a primeira, esta corre o risco de ficar - em nossas análises - como um prêmio de consolação aos que não chegaram ao conhecimento da Verdade que liberta. Não podem reclamar, porque pela graça foram ao menos agraciados com o avanço da ciência, a preservação da vida, a beleza da natureza e outras demonstrações de favor da parte de Deus - pensam alguns.
Acontece que a graça comum está longe de ser prêmio de consolação para quem não vive em aliança com o Cristo ressurreto. Ela está entre os grandes gestos de amor da Trindade pela humanidade. Fosse ela um discurso do Deus Trino, a classificaria como uma parábola. Nem todos a entendem, mas seu recado está ali. São as impressões digitais do Criador deixadas como pistas que conduzem à expressão máxima do seu abnegado amor pelos homens: a cruz do Calvário. Acredite. É super especial essa graça comum!

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