terça-feira, 1 de novembro de 2011

Entre a dúvida e a certeza


Há cristãos para os quais perguntar é pecado. Gente para quem o discurso de Moisés: “as coisas encobertas pertencem ao Senhor” é o ponto final para qualquer conversa que os faça repensar seus dogmas. Diante disso, vale a pena pensar: Há espaço para questionamentos na sua fé?
O ponto de partida desta repulsa aos questionamentos, para muitos, parece ser a idéia de que fé é sinônimo de certeza e, consequentemente, antônimo de dúvida. Nessa lógica, quem crê não pode duvidar. Tomé e sua experiência com o Cristo ressurreto reforçam o mito da dúvida como pecado.
Acontece que, ao menos na perspectiva cristã, fé e questionamento não pertencem a polos que se repelem. Fé tem mais a ver com confiança do que com certeza.  E na confiança há espaço para perguntas, quer elas confirmem ou não as nossas convicções.
Na verdade, não há convicção que não tenha sido gerada pela dúvida. Como uma tese decorre de algumas hipóteses, o que se tem como certo é fruto do que, antes, se tinha como provável. E no exercício da fé, há espaço para ambas: a probabilidade e a convicção.
Fé é um dom que oscila entre a dúvida e a certeza, e que se sustenta não em um pólo ou em outro, mas em suas raízes fincadas na confiança. Não se trata de saber todas as coisas, mas de saber que alguém sabe. Não se trata de não perguntar, mas de descansar no caráter de quem – respondendo ou não – conhece.
Nesse mundo onde só Deus é dono da certeza, só se dá o direito de exercitar a fé quem se permite oscilar entre questionamentos e convicções.

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