segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Fé (in)visível

Espiritualidade e religiosidade são expressões muitas vezes usadas intercambiavelmente. Seus significados, todavia, não são sinônimos. Por mais que ambas estejam relacionadas à idéia do sagrado, elas representam realidades distintas, e sua compreensão pode nos ajudar na vivência de nossa fé.
Espiritualidade é o elemento invisível da nossa prática de fé. É a experiência de todo homem com o sagrado, com o transcendente. Salomão a explica ao afirmar que Deus pôs a eternidade no coração do homem. Santo Agostinho, por sua vez, descreve-a como o anseio do homem por Deus, a fim de que, estando Nele, encontre descanso.  João Calvino, depois, a chamou de o ‘senso de divindade’ existente em toda a humanidade.
Religiosidade, diferentemente, é o elemento visível da nossa prática de fé. É a forma como cada homem exercita sua espiritualidade. Diante da percepção de que existe um anseio pelo transcendente, os homens se organizam através de práticas – individuais ou comunitárias – que dão forma e significado a esse desejo real, ainda que invisível, de alcançar o divino.
As duas experiências são importantes na prática de fé – desde que cumpram seu devido papel. Dar à religiosidade mais importância do que à espiritualidade equivale a ater-se à forma, em detrimento do conteúdo. Em contrapartida, descobrir-se cheio de espiritualidade, mas não se organizar religiosamente para vivenciá-la corresponde a perder a oportunidade de desfrutar de um tesouro achado no próprio coração.
           É preciso descobrir em si a semente da eternidade, plantada por Deus no coração do homem, e em seu crescimento investir. É necessário, também, dar a esta semente forma, de maneira que ela seja vivenciada com relevância e clareza aos olhos de quem quiser contemplá-la. Porque somos seres espirituais e religiosos, nossa prática de fé precisa ser equilibradamente (in)visível. 

Nenhum comentário: