quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Onipotência tem limite

No último dia 27 de Outubro, estudantes da USP iniciaram uma baderna no campus da universidade porque três de seus colegas que fumavam maconha foram reprimidos por policiais militares que patrulhavam o local. Para que os alunos apreendidos não fossem levados à delegacia, um grupo cercou a viatura da PM, apedrejando-a e, em seguida, ocupando o prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e, em seguida, a reitoria da universidade.
Em tese, jovens de 20 e poucos anos. Na prática, meninos e meninas que parecem ter estagnado emocionalmente na síndrome da onipotência típica da adolescência.
Com a chegada da puberdade, as pessoas experimentam mudanças não apenas físicas, mas também psíquicas. Descobrem-se menos dependentes das figuras parentais, e começam a - por isso - supor que são capazes de fazer o que bem desejarem, tão somente optem por fazê-lo.
Normalmente essa fase passa. Os pais, os relacionamentos, a sociedade e as leis acabam por mostrar - com mais custo para alguns, é verdade - que essa onipotência nunca existiu. Ainda que se pense nesses termos, ninguém faz absoluta e exclusivamente o que quer, quando quer e da forma que quer. Entendendo isso, as pessoas se rendem à uma vida que se constrói a partir da compreensão dos seus direitos, bem como dos direitos dos outros.
Acontece que vive-se dias nos quais parece ser maior a incidência de pessoas que, tendo passado  etariamente da adolescência, permanecem presas às suas síndromes. "E daí que a droga não é legalizada?". "E daí que a polícia está a patrulhar o campus?". "E daí que trabalhadores e estudantes estão sendo prejudicados?". "E daí que o patrimônio público está sendo danificado?". "E daí que a assembléia decidiu pela desocupação do prédio?". A única coisa que importa é o desejo de se fazer daquele um território livre, onde cada jovem refém da síndrome de onipotência viva sua eterna adolescência!
Até se entende quando, no auge dos seus 15 aninhos, meninos e meninas agem assim. Mas, gente com barba na cara e carteira de motorista chamar baderna de protesto, preservação do espaço público de cerceamento do direito de ir e vir e repressão policial de ditadura - pra poder fumar maconha na faculdade - é demais. Por favor! Onipotência tem limite!

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