quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Diapasão do Céu


Nietzsche foi o filósofo que decretou a morte de Deus. Filho de pastor luterano, o famoso pensador alemão do século XIX afirmou, em seus tratados, a não-necessidade de Deus na história dos homens. Ironicamente, talvez Nietzsche nunca tenha se dado conta de como muitas de suas palavras acabaram por confirmar a realidade que ele tanto escolheu negar.
“E os que dançavam foram julgados como loucos por aqueles que não ouviam a música” é uma de minhas frases prediletas do supracitado filósofo. Ainda que não intencionalmente, Nietzsche acaba por descrever com perfeição, com essa frase, uma condição do povo de Deus: sua capacidade de atentar para realidades que muitos julgam inexistentes.
Ao nascerem de novo por obra do Espírito, homens e mulheres têm sua alma afinada com diapasão do céu. Percebem, por isso, realidades antes não vistas; consideram diamantes o que antes tinham como lata; celebram pelo que antes choravam, e choram pelo que antes celebravam. São tidos como loucos. Talvez sejam; mas só para aqueles que não conseguem acompanhar o compasso da música que os loucos começaram a ouvir.
Faltou ao filósofo perceber que ele mesmo era refém de suas palavras. Matou o único que venceu a morte. Não foi capaz, por isso, de ouvir a música que nunca deixou de tocar, e que todo dia acaba fazendo mais uns “loucos” dançarem.

Um comentário:

Marina disse...

Cadê o link pra curtir!
Gostei mt!
bjs