quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da Mulher

Nenhum dia foi tão 'Dia da Mulher' quanto aquele. Ela estava arrasada. Foi sua primeira crise conjugal. A vida a dois vinha sendo tão boa. Depois da briga, pela primeira vez ambos tiveram vergonha de sua nudez. Cobriram o corpo para minimizar o constrangimento gerado por um problema nascido no coração. No coração dos dois.
O clima de lua de mel foi logo substituído pelo de guerra. A declaração "osso dos meus ossos e carne da minha carne" deu lugar a "a mulher que tu me deste". Eles não se viam mais como extensão um do outro. Agora cada um respondia por si. Na verdade, ambos esperavam que o outro respondesse por aquela crise.
Era a viração do dia, e eles sabiam que a qualquer momento Deus apareceria no jardim. Nítida era a angústia no olhar dos dois. Fingiam estar bem - mas era daquele fingimento que mais serve para controlar o desespero interno do que para provar alguma coisa para alguém.
Dos dois, ela era a que mais sofria. Ambos transgrediram. Mas no fundo ela sabia que havia sido a primeira a comer do fruto proibido. Sabia também que, se fosse preciso, ele estaria ali para mostrar a Deus quem, no casal, tinha começado aquela história. É bem verdade que a serpente a induzira ao erro. Algo lhe dizia, contudo, que colocar a culpa na serpente não a isentaria da responsabilidade pelo problema. Anjos - caídos ou não - não respondem pelos erros dos homens.
Tão logo ouviram a voz de Deus, esconderam-se. Não por muito tempo. Rápido aprenderam que Deus é aquele que tudo vê. Quando arguidos, foram transferindo a culpa um para o outro; homem para a mulher, mulher para a serpente. Pararam. Deus tinha algo a dizer.
Porque transferiu a culpa para a mulher, o homem pensou não precisar mais responder pela história. Ela fez o mesmo, responsabilizando a serpente. Mas no fundo sabia que responderia por aquilo. Anjos - caídos ou não - não respondem pelos erros dos homens.
O primeiro discurso divino foi à serpente. Justo e sem misericórdia. O segundo foi... bem, deixemos o segundo para o final. O terceiro foi ao homem. Não teve jeito. Ele também respondeu pelo problema. Ouviu de Deus um discurso justo e cheio de misericórdia. E com a mulher? O que aconteceria?
Pelo discurso de Deus ao homem, dava para imaginar que justiça e misericórdia também acompanhariam o recado divino à mulher. O que não dava para calcular era a intensidade da misericórdia. Por ter sido a primeira a infringir, poderia-se supor que a ela a porção de misericórdia seria menor. Não foi.
Além do que fora dito a ela, ficou gravado em sua mente o que Deus dissera à serpente. Demorou, mas entendeu que algo ali lhe dizia respeito. Deus ainda tinha planos para a mulher. Do seu ventre viria o descendente que esmagaria a cabeça do descendente da serpente. Então... a esperança da raça estava na sua semente!
Que dia para aquele casal! Que dia para aquela mulher! Colocou tudo a perder, mas - por pura intervenção de Deus - viu continuar uma história que tinha tudo pra acabar ali; no começo; na primeira crise.

Um comentário:

Anônimo disse...

Graças a Deus pela sua vida, Daniel.
Que visão, muito lindo!
Abç grande, Dilma