segunda-feira, 19 de março de 2012

A Espiritualidade do Tempo


Horário no Brasil é ponto de referência. Quando se combina um evento e se diz “vejo você às 16h!”, entende-se que a partir do horário estabelecido, qualquer hora é propícia para se chegar. Antes? Nunca! Na hora? Pra quê? Depois? É; depois.
É um sintoma cultural. E sintomas culturais são dos mais difíceis de serem mudados. Primeiro porque nós não os percebemos enquanto problema – já que estão arraigados na cultura. Depois, porque se (e quando) finalmente os notamos assim, nossa argumentação visa justificá-los, girando sempre em torno do princípio da acomodação.
Acomodamo-nos porque percebemos que “aqui todo mundo é assim”. Acomodamo-nos porque dizemos que “esse é o nosso jeito”. Acomodamo-nos. E perdemos. Perdemos e nos perdemos.
Perdemos a possibilidade de ver que se há tempo para tudo, tudo deve – ao menos tentado – ser feito no seu devido tempo. Perdemos a chance de mostrar que nos importamos, dando ao outro o devido tempo e atenção. Perdemos a oportunidade de descobrir que o outro se importa, dando a nós o devido tempo e atenção. Nos perdemos, como gestores de algo que, não sendo nosso, Deus nos confiou para administrar.
Tudo é espiritual na vida daquele que nasceu do Espírito. Por isso, a forma como administramos nosso tempo é um indicador da nossa espiritualidade. Em muitos aspectos o evangelho trilha o caminho da contracultura, e este definitivamente é um deles.
Seja um bom gestor da sua espiritualidade sendo um bom gestor do seu tempo.

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