quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ortodoxia Generosa


Nesta última semana, preparando-me para falar sobre a carta de Jesus à igreja em Sardes, na série “Um Recado Para Você” (que pode ser ouvida aqui), deparei-me com uma assustadoramente verdadeira afirmação do grande teólogo John Stott: “A sã doutrina por si não pode resgatar uma igreja da morte. A ortodoxia em si mesma pode algumas vezes ser morta.
Poucas vezes percebi tamanha perspicácia em enunciados teológicos. Afinal, geralmente achamos que o termo “sã doutrina” é inequivocamente bom. Ou seja, que mal pode decorrer do fato de guardarmos os enunciados da santa fé? Uma igreja ortodoxa é, indiscutivelmente, uma igreja saudável. Certo? Errado!
Sardes, a possivelmente primeira igreja na história do Cristianismo caracterizada por uma fé nominal, é uma prova de que pode haver morte onde se guarda palavras de vida. Jesus critica a igreja por estar morta, mesmo tendo fama de viva. Como isso é possível?
Isso é possível uma vez que nossa reputação diante dos homens não corresponde necessariamente à nossa realidade diante de Deus. É possível porque há quem tenha o evangelho guardado e, ainda assim, mantenha o Espírito apagado. É possível porque guardar o evangelho na mente não é o mesmo que honrar a Cristo no coração. 
Éfeso, outra igreja à qual Jesus escreve uma carta, foi criticada porque, a despeito de ser ortodoxa, havia abandonado o primeiro amor. Odiar o erro e o mal não é o mesmo que amar a Cristo. Não basta pensar correto; superior a esta está a tarefa de cultivar sua fé no exercício do amor que se revela pela submissão a Deus, imitação de Cristo, honra ao Espírito e serviço ao próximo. Isso se chama ortodoxia generosa.

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