segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Antes da Reforma

Estamos a poucos dias do aniversário da Reforma Protestante, comemorado no dia 31 de Outubro. Fosse este o ano de 1517, estaríamos a 72 horas de um dos maiores acontecimentos da história do Cristianismo. Tão importante foi este movimento para os cristãos de tradição Protestante que, para muitos, nossa história começa ali – em pleno século XVI.
É bem verdade que antes da Reforma o Cristianismo vivia dias que seus historiadores classificam como o ‘período das trevas’. A Idade Média foi uma era de atrocidades cometidas em nome de Deus. A politização da religião somada à ignorância por parte da maior parcela da população em relação às Escrituras Sagradas facilitou um sistema de manipulação da fé das massas.
Contudo, não podemos nos esquecer que antes da Reforma também havia vida na Igreja. Por maior que seja a importância dos reformadores, Lutero e Calvino não foram os únicos, nem mesmo os maiores homens que Deus levantou na história. Muitos outros homens e mulheres – conhecidos e anônimos – foram usados por Deus para que o evangelho fosse proclamado e vidas fossem transformadas. Nenhum evento, senão o nascimento de Jesus em Belém, carrega em si a prerrogativa de ser “o” marco da história. Não à toa apenas a chegada de Deus entre os homens dividiu o mundo em “antes” e “depois”.
Olhar para a Reforma, da qual estamos distantes 496 anos, deve nos mover em duas direções: humildade e inspiração. Humildade, tendo em vista que por mais belo que o movimento tenha sido, Cristo nunca deixou de trabalhar através de sua igreja desde o Pentecostes – mesmo nos seus períodos mais sombrios. Não somos, os Protestantes, como às vezes pretendemos, “a última bolacha do pacote”.

Inspiração, por sua vez, pois o maior legado que nos deixaram os reformadores não foi a doutrina da justificação pela fé – como às vezes imaginamos. Este legado é de Paulo, o apóstolo. Sua preciosa herança foi a percepção de que podemos, sob a graça do Cristo, nos levantar em temor e ousadia e lutar para que a igreja retome o rumo que nunca deveria ter perdido.

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