sábado, 19 de outubro de 2013

O pão nosso de cada dia


Não é necessário estar muito atento aos acontecimentos para se perceber que vivemos em um mundo marcado pela injustiça. Escassez e abundância dividem as mesmas avenidas das nossas cidades – às vezes sem que se precise atravessar a calçada. E, nesse quadro de injustiça e desigualdade, nosso maior inimigo é a fome.
Na lista dos 10 maiores riscos de saúde, a fome é o número 1. Ainda que o número de pessoas vivendo em fome crônica tenha baixado nas últimas duas décadas, os índices permanecem assustadores. 860 milhões de pessoas passam fome no mundo. Destas 130 milhões vivem em fome crônica. Dos problemas solucionáveis que a humanidade enfrenta, a fome é o maior.
E qual resposta a fé cristã apresenta para esse dilema?
O salmista disse, certa vez, nunca ter visto o justo desamparado, nem a sua descendência mendigar o pão. Todavia, os dados são inegáveis! Será que só incrédulos padecem desse grande mal? É certo que não. De qualquer forma, ainda que a resposta fosse positiva, não teria a igreja compromisso na reversão desse quadro na vida dos que sofrem fome e não crêem em Deus?
Jesus nos ensinou a pedirmos pelo pão nosso de cada dia. E esta oração, quase toda na primeira pessoal do plural, foi ensinada depois da recomendação para que entrássemos em nosso quarto, onde estaríamos sozinhos com Deus. É belo perceber como no lugar da solitude Jesus nos ensina a conjugar verbos no plural.
“O pão nosso de cada dia” nos faz lembrar que somos nós os responsáveis por fazer com que as palavras do salmista sejam uma realidade na vida de um número cada vez maior de pessoas. Perceber que nós somos as mãos de Deus em ação na história nos levará a uma jornada de engajamento na luta contra a injustiça e a desigualdade. Não há outra escolha. Afinal, o reino de Deus já chegou entre nós!

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