sábado, 16 de novembro de 2013

Fora dos muros da igreja

Fosse a igreja um castelo, muitos de seus membros seriam como os príncipes que sempre viveram dentro dos seus muros. É sabido de todos que, em tese, muros existem para oferecer segurança. Desde o início da história dos homens protegem os indivíduos e civilizações de seus inimigos. Todavia, a vida dentro dos muros também produz seus efeitos colaterais.
Há fases da vida para as quais se cercar por todos os lados é uma questão de necessidade. De que forma proteger os pequenos e indefesos, senão oferecendo-lhes a segurança dos ‘muros’ – seja lá o que os represente? Sem se sentir seguro dificilmente alguém é encorajado a prosseguir.
Em outros momentos, no entanto, os outrora necessários muros precisam ser derrubados. Afinal, por mais estruturados que sejam os nossos ‘castelos’, nenhum deles jamais nos oferecerá tudo o que precisamos para viver. Explorar com sabedoria o universo para além dos muros é tarefa de quem deseja não apenas prosseguir, mas caminhar como gente grande.
É necessário estar atento e discernir quando os muros da igreja precisam ser derrubados. É a única maneira de se perceber como Deus está agindo do lado de fora. Não foi à toa que o salmista disse, “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe; o mundo e os que nele habitam”. Imbuído pelo mesmo espírito, Abraham Kuyper afirmou que “não há centímetro quadrado deste mundo do qual Cristo não possa dizer: é meu”.

Como cristãos que galgam a maturidade, nossa tarefa é a de conhecer cada canto dos nossos castelos e, então, explorar o mundo que se esconde para além dos seus muros. Ainda que assustador para alguns, descobrimos que jamais nos sentiremos plenos a menos que, escravos do evangelho da graça, vivermos a liberdade para a qual Cristo nos libertou.

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